Evolução das Dívidas Públicas: Lula x FHC

Muito se tem comentado sobre a explosão da dívida pública interna no governo Lula. Se formos olhar apenas para números absolutos, a conclusão será estarrecedora.

O principal argumento dos defensores da gestão FHC é o fato de que a dívida interna líquida do setor público saltou dos R$ 670 bi (Jan/2003) para os atuais R$ 1,745 tri (out/2010). Realmente assustador.

Mas não dá pra fazer qualquer análise levando em consideração apenas os valores brutos da dívida. Como tudo na economia, é preciso relativizar os dados. Nesse caso, a melhor forma de examinar o momento atual é cruzar os valores da dívida com o PIB brasileiro.

Reparem:

Era FHC

Evolução das Dívidas Públicas na era FHC



FHC pegou a relação Dívida Interna/PIB em 20,77% (Jan/1995)
FHC entregou a relação Dívida Interna/PIB em 44,87% (Jan/2003)

Aumento de 24,1 pontos percentuais.

Outras observações importantes a meu ver:

1. FHC aumentou tanto da dívida interna quanto a externa;
2. FHC precisou aumentar a dívida interna mesmo após os processos de privatização. Vendemos nossos ativos e, mesmo assim, contraímos mais dívidas.
3. Esse dinheiro não foi gasto nem com investimentos, nem com políticas sociais, nem com desoneração da carga tributária.

Era Lula

Evolução das Dívidas Públicas na era Lula



Lula pegou a relação Dívida Interna/PIB em 44,87% (Jan/2003)
Lula deixou a relação Dívida Interna/PIB em 51,6% (Jan/2010)

Hoje, outubro de 2010, a relação dívida interna/PIB está em 50,96%.

Aumento de 6,09 pontos percentuais.

Observações:

1. Em relação à dívida externa, hoje somos credores. FHC nos deixou uma dívida de 15,61% do PIB. Hoje temos um saldo positivo de 9,58% do PIB;
2. Nossa dívida pública global caiu de 60,5% do PIB (FHC) para 41,4%;
3. Em 2008 iniciou-se uma tendência de queda da dívida interna/PIB que foi interrompida devido a crise dos EUA. Essa tendência foi agora retomada em 2010;
4. Tivemos fortes investimentos em Políticas Sociais e infraestrutura com o PAC 1;

Vejam como Miriam Leitão joga para os leigos com o objetivo de prejudicar o governo, mas Dilma logo trata de colocar as coisas no seu devido lugar.

* Os gráficos foram construídos com base nos dados do IPEA (http://www.ipeadata.gov.br/).

A Revista Veja se Contradiz?

A Revista Veja faz um bom ou um mau jornalismo?

E quando uma matéria da Veja desmente e tira a credibilidade de outra matéria sua publicada alguns meses atrás?

Veja em 22/10/2010:

INTRIGAS DE ESTADO (http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/intrigas-de-estado)

‘(…) Acrescentou Tuma: “Há um jogo pesado de interesses escusos. Para atingir determinados alvos, lança-se mão, inclusive, de métodos ilegais de investigação. Ou você faz o que lhe é pedido sem questionar, ou passa a ser perseguido. Foi o que aconteceu comigo”, afirma o ex-secretário, que deixou a pasta em junho, depois que vieram a público denúncias de que teria relacionamento com a máfia chinesa. Tuma Júnior atribui a investigação contra si — formalmente arquivada por falta de provas — a uma tentativa de intimidação por parte de pessoas que tiveram seus interesses contrariados. Ele não quis revelar quais seriam esses interesses: “Mas posso assegurar que está tudo devidamente documentado”. (…)’.

Reparem que: “formalmente arquivada por falta de provas” foi um destaque da revista Veja. A revista acusa ou defende de acordo com seus interesses momentâneos.

Veja em 12/05/2010:

UMA MUAMBAZINHA NÃO DÓI

Finalmente, para a Veja, Romeu Tuma Jr. é culpado ou um perseguido pelo governo?