Serra, sem sombra de dúvida, é o homem do genérico… Do pensamento genérico. Você jamais verá José Serra se aprofundar em algum assunto. Sobre temas complexos, ele fica em cima do muro. Ninguém sabe o que ele realmente pensa, se é que pensa! Ele não possui opinião própria. Ele simplesmente não consegue dizer algo original em nenhuma entrevista. E o pior de tudo, assume como dele conquistas de outras pessoas!
Serra é o pai dos genéricos? Só se for dos pensamentos genéricos, porque o pai dos medicamentos genéricos foi o Dr. Jamil Haddad. Veja mais em Viomundo.
Proposta de Serra para a Saúde: “na saúde, o que você pode sempre fazer é que hoje seja melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje“. Praticamente um filósofo.
Proposta de Serra para a Educação: Aumento para professores? Não, bônus por produtividade. Bônus é um artifício muito interessante para os governantes por dois motivos: 1) o valor não é incorporado na aposentadoria; 2) o governante pode desaparecer com o bônus quando quiser. Os professores devem ficar muito satisfeitos com isso.
Proposta de Serra para a Segurança Pública: “o governo federal tem que entrar de corpo e alma na questão da segurança porque ela é muito grave no Brasil, principalmente para os mais necessitados, o nosso povão“. Brilhante!
É, Reinaldo, foi Lula quem demorou 18 anos pra reconhecer um filho bastardo, vendeu estatais a preço de banana, chorou aos pés do FMI após quebrar o país por três vezes e, finalmente, mudou as regras em pleno jogo com a emenda da reeleição… Pelo jeito, Lula repetiu todos os erros de FHC!
Mais adiante ele comenta:
“As concepções do Demiurgo são assim mesmo: ele é radicalmente contra alguma coisa, e desqualifica o adversário, até que, de súbito, passa a ser radicalmente a favor, desqualificando o adversário…“.
Eu gostaria de saber duas coisas: 1) Onde está todo esse radicalismo de Lula; 2) Em que momento Lula, por ser a favor da reeleição, desqualificou o adversário.
“Serra sempre foi favorável ao mandato de cinco anos sem reeleição — era, lembre-se , contrário ao encaminhamento da emenda propondo a reeleição, mas foi voto vencido no PSDB. Não se trata, pois, de uma posição oportunista, ditada pelas necessidades da hora. Os princípios de Lula, no entanto, variam de acordo com a urgência. Eles têm valor meramente instrumental — e isso quer dizer valor nenhum.“
O PSDB tenta mudar as regras da reeleição sempre que pode e Lula é quem é criticado pela volatilidade de princípios. Muito coerente! Além do mais, Serra nem conseguiu cumprir os 4 anos dos mandatos do executivo para o qual foi eleito, imagine só se ele pretenderia passar 8 anos na presidência. Ele fala em 5 anos de mandato, mas, no fundo, gostaria que fossem apenas 2.
Eu ia fazer um post sobre a diferença de tratamento que a revista Veja deu nas montagens das capas onde aparecem Dilma e Serra. Mas antes que eu conseguisse escrever qualquer coisa, encontrei esse mesmo assunto abordado pelo crítico de cinema Pablo Villaça. Clique aqui para ler.
Tomei a liberdade de copiar o editorial de O Globo publicado por Noblat. Um texto equilibrado que prova mais uma vez que a imprensa irá cobrir as próximas eleições de maneira justa e imparcial. Comento em azul.
Hora das propostas de Serra e Dilma (Editorial)
Com o lançamento da pré-candidatura tucana de José Serra à Presidência da República, depois de o PT já ter sacramentado o nome de Dilma Rousseff, indicação de Lula para sucedê-lo, a campanha de 2010 entra em novo estágio, em que se espera a primazia do confronto de ideias, propostas, sobre tentativas de golpes da baixa política e jogadas de marketing desprovidas de qualquer conteúdo.
O texto mostra como histórico de José Serra em eleições presidenciais é pautada na ética e no bom senso. Nada de golpes de baixa política. Roseana Sarney é testemunha.
Dilma e Serra têm origem comum, na resistência de esquerda à ditadura militar. A ex-ministra, oriunda de grupos armados, e vítima dos porões do regime; o ex-governador de São Paulo, presidente da UNE em 64, exilou-se no Chile, onde escapou de ser fuzilado no Estádio Nacional, no golpe de Pinochet.
A biografia dos candidatos dá uma pequena vantagem a José Serra. Enquanto Dilma combateu apenas a ditadura brasileira, José Serra saiu combatendo golpes em vários países da América Latina. Outra diferença entre eles é que, ao passo que Dilma, na condição de armada, quase matou, Serra, desarmado, quase morreu.
Apesar de todo o discurso político-eleitoral, não se vislumbra uma volta ao passado a partir das urnas de 2010, possibilidade que também não esteve presente em 2002. Nesse sentido, o Brasil dá mostra de maturidade institucional, característica de regimes republicanos sedimentados: não é devido à possibilidade da chegada da oposição ao poder que se esperam mudanças radicais.
Nada de terrorismo eleitoral. 2002 foi exemplo e o editorial espera que em 2010 possa ocorrer o mesmo.
Mesmo porque a oposição de hoje foi situação entre 1994 e 2002, período em que se instituíram as bases da estabilidade econômica, sensatamente preservadas por Lula ao vencer em 2002.
E para confirmar o parágrafo anterior, se o Brasil vai bem, obrigado, o autor deixa claro: é graças tanto a atual oposição que fez, quanto a situação que não desfez.
A festa tucana em Brasília, no sábado, indicou que o PSDB decidiu assumir seu passado, o que não fizera no segundo turno de 2006, quando, de maneira equivocada, se acabrunhou diante da pecha de “privatista” bradada por Lula, e não soube mostrar as enormes vantagens do desmantelamento de monopólios estatais.
Dicas valiosas para ambos os partidos… O PSDB não precisa se acovardar como fez no passado, e por isso perdeu as eleições, seu modelo de governo privatista é correto e o melhor para o Brasil. Já o PT precisa fazer tudo ao contrário do que fez até agora.
Nem irá, como também ficou claro, esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, símbolo de um período de reformas as quais conseguiram o feito histórico de debelar a superinflação crônica, de que se beneficiariam todos, inclusive Lula e sindicatos hoje no poder.
Aqui o editorial elogia tanto o governo tucano quanto o governo petista. Enquanto FHC reconstruiu o Brasil, Lula conseguiu não desconstruí-lo.
Ao assumir a candidatura num evento em que, com Aécio Neves à frente, o PSDB deu importante demonstração de unidade, Serra, que se mantivera em silêncio diante de todo o foguetório lulopetista na fase em que o presidente usou e abusou do cargo e da máquina pública para promover a candidata, passa a dividir com Dilma espaços antes monopolizados.
Veja como a crítica do editorial é contundente para ambos os lados. Enquanto Lula usa a máquina pública para fazer campanha, Serra fica em silêncio, como sempre, já que ele não emite opinião alguma, além de ser um absurdo sem tamanho o PSDB demonstrar unidade a essa altura do campeonato.
Além de trazer o saudável contraditório para esta fase prévia à formalização das candidaturas pelas convenções partidárias, a chegada do ex-governador de São Paulo ao embate eleitoral permite que se comece um real e objetivo debate sobre propostas concretas de governo.
E é graças à presença de José Serra que tudo de bom vai começar a partir de agora. Dilma, sozinha, não tinha como expor ideias úteis e concretas de governo a serem debatidas.
No seu discurso, Serra tratou de apontar alvos conhecidos: falta de investimento em infraestrutura, na educação básica, ética na política, gastança, corporativismo e aparelhamento da máquina pública.
O texto reproduziu tanto o discurso de José Serra quanto o de Dilma Rousseff. Parabéns por dar voz a ambos os lados.
E ainda fez rápida referência ao setor externo da economia, ligado de maneira umbilical à taxa de câmbio, tema inflamável e diante do qual Serra foi dissidente mesmo no governo FH.
Idem ao parágrafo anterior.
Dilma se diz estatista e Serra não pode ser tachado de “neoliberal”. Nenhum dos lados defende o “Estado mínimo”. Por trás do lema tucano do “Brasil pode mais” há algum protagonismo do Estado; e a visão de Dilma está exposta no projeto de mudança do modelo de exploração do pré-sal, inspirado no dirigismo geiseliano. Chegou a hora de, sem artifícios e tergiversações, estes temas serem esmiuçados pelos candidatos.
Infelizmente, no último parágrafo, só há menção à proposta de Dilma Rousseff, nenhuma de José Serra, mas não é culpa do autor, é que José Serra não possui proposta de governo até o momento, mas isso vai mudar em breve.